Mourning Stories: At Amarais

guest post by Beatriz Guimarães


No Amarais

Em um cemitério como jardim antigo,
o velório é espectro masoquista,
ritual que abandono ao sair da sala.

Tudo tão rápido, uma tarde é o fim,
então se senta num banco de pedra,
olha para a dança dos galhos e vê
a dama de ar fazer a sua saudação.

E ao acenar, o vento entra e sai,
como a vida que não passa mais
pelo ataúde de minutos atrás.

Pois a face do corpo morto
se veste de todos os vivos
e isso desperta dor em meio
à tranquilidade de seu repouso.

É algo que nos mudou,
deu-nos o vazio que é somente
a maior prova de substância.


At Amarais(*)

In a graveyard, an ancient garden,
the wake is masochistic specter,
a ritual I abandon by leaving the room.

Everything is so fast,
an afternoon is the end.
Then, sitting on a stone bench,
I look at the dancing boughs and see
a woman in the wind send her regards.

And, waving, the wind comes and goes
like the life that no longer flows
through the coffin of minutes ago

The face of the dead body
covers itself with all the living
and awakens pain in us amidst
the tranquility of his rest.

It is something that changed us
gave us the hollow that is only
the greater proof of substance.


(*) Amarais is a graveyard in Campinas, state of São Paulo, Brazil. It has old and majestic trees, while there are no graves, but a beautiful and small field.